sábado, 13 de novembro de 2010

Preparação fisica para bailarinas (os)

Para começarmos um bom trabalho, devemos sempre saber o que e onde vamos chegar. Partindo desta, devemos fazer uma analise dos grupos musculares a serem trabalhados em sala de aula. Podem ser com exercícios resistidos ou não. O que realmente importa é o planejamento, a execução e a finalidade destes.Os grupos musculares são normalmente divididos em grupos musculares maiores e grupos menores. Estes também são chamados de antagônicos. Alguns treinos para aumento de massa muscular são divididos desta forma. Os grupos musculares a serem trabalhados podem assim serem divididos: Peitoral e tríceps, costas e bíceps, pernas e ombros. Alem é claro dos abdominais. Este é só um exemplo, pois existem muitas formas de dividir os grupos musculares a serem trabalhados e especialmente para que são trabalhados.As pernas muitas vezes sofrem com divisões como grupos musculares grandes, sendo trabalhados quadríceps e bíceps femoral( posterior de coxa) e gêmeos (panturrilha) com variação para glúteos em cada tipo de treino.Estes são alguns exemplos para treinos de força, resistência e fortalecimento. Mas podem tranquilamente serem usados como base para preparação física em sala de aula. Por exemplo, para peito podemos utilizar flexões de braço, com braço aberto. E para tríceps também flexões com o braço colado ao corpo mais fechado, ou mesmo utilizar um apoio colocando os braços para trás e fazendo agachamento tríceps. Para as pernas um bom trabalho de grand battement já ajuda muito. Faço a sugestão de iniciar os trabalhos dando a volta em sala de aula fazendo uma perna de cada vez alternada. Para alunas intermediárias fazer duas vezes em cada perna seguidas e depois alterná-las. E grupos mais avançados três repetições em cada perna seguidas e depois alterná-las. Pode-se também fazer variações neste exercício. Podemos colocar também um
thunder flash ou mesmo um rond de jamb em l’air, este para iniciar antes do grand battement. Para trabalho de panturrilha(gêmeos) um bom trabalho de barra com plies e demi plies ajudam muito, desde que executados corretamente, especialmente em relação a postura das costas e dos joelhos. Sempre respeitando a idade e os níveis para saber a carga e repetições a serem aplicadas. Brincadeiras como uma carregar outra aluna nas costas dando uma volta pela sala de aula, respeitando os tamanhos e pesos equivalentes também são muito úteis. Ou uma simples carriola, onde duas alunas fazem juntas, uma pegando o pé da outra e
a outra caminhando com as mãos no chão e fazendo uma caminhada também pela sala de aula ajudam a fortalecer os braços. O que quero dizer é que é possível fazer sim muitos exercícios em sala de aula sem ter aparelhos de musculação. E que estes são muito necessários para a formação, prevenção e melhora significativa na dança de cada aluna ou aluno. Mesmo sem nenhum tipo de aparato para outros exercícios, voce pode e deve mesclar as aulas com técnica, nomenclaturas, brincadeiras (em qualquer nível de classe desde que na hora certa) e ensaios. Uma boa divisão de grupos musculares irá melhorar e muito o rendimento de cada bailarino e bailarina.
Sei que muitos ainda não se deram conta do que pode e vai ser melhorado com a aplicação da preparação física nas aulas. Infelizmente, como já venho escrevendo há tempos, muitas escolas e professores ainda só pensam em ensaios e festivais. Sejam estes competitivos ou os de final de ano, onde tiram o seu 13º. Com ingressos vendidos e outros. Pensem! Como bailarinos, bailarinas e responsáveis. Uma arte como a dança deve ser sempre bela e trazer prazer a quem a faz. De ambas as partes. E não é possível fazê-la sem muitas horas e horas de pratica e ensaios. Correto?
Então como vai fazê-la e não se preparar para dançar e que ela dure? Sem exercícios de fortalecimento com certeza não será!
O correto planejamento e divisão do trabalho é que ajudarão para que isto aconteça.
Não é possível pensar em dança sem pensar que são os músculos os responsáveis para que tais ações aconteçam. E se eles estirem “ ESCULPIDOS” melhor ainda. Então deixo aqui meu conselho de prestarem atenção ao trabalho que estão fazendo, as aulas aplicadas e se há uma preocupação com a preparação física para que tudo descrito antes aconteça.

fonte: revista dança brasil - escrito por José Luiz O.Gioia
Diretor e preparador físico da Cia de dança GIOIA RARA.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Pontas,



Por fora, a leveza do movimento, a suavidade do passo, a tranqüilidade do sorriso. Por dentro, o peso da cobrança, a persistência, o nervosismo, a dor. As luzes se apagam, o encanto e a magia se acabam, como em um passe de mágica. A última gota do suor é seca, o coque e a maquiagem desfeitos, ela não é mais intocável. Mas ainda é bailarina, seu corpo de menina é cruelmente castigado, dedos e unhas estilhaçados, em um corpo apático e entorpecido. Vai bailarina, descansa, pois o mundo precisa da magia da tua dança!

Entrevistando Emilio Martins

A DANÇA BRASILEIRA CONQUISTA MOSCOU

Emílio Martins, ex-primeiro-bailarino do Theatro Municipal chega aonde poucos sequer podem sonhar: vai remontar La Fille Mal Gardée para o Ballet Bolshoi. É isso mesmo, o Bolshoi de Moscou. Emílio, querido companheiro de tantos anos, hoje Coordenador de Dança da Funarte, realiza através do seu trabalho honesto, absolutamente dedicado, quase místico, todos os nossos próprios ideais. A estréia se dará no dia 20 de janeiro e daqui estaremos torcendo, aguardando ansiosos seu retorno e prontos a lhe prestar as homenagens que a mídia idiota não prestou, a reconhecer um feito que os que possuem uma tradição em ballet podem bem dimensionar. Sucesso companheiro! E seja bem vindo no seu regresso!
Professor Emílio Martins Remonta Balé para o Bolshoi


Emílio, o que é coreologia?

Emílio Martins: São sinais escritos num pentagrama que permitem, a quem estuda esse sistema, montar uma dança, uma cena de mímica ou uma obra completa. É uma matéria muito inteligente dentro da dança; até hoje me surpreendo lendo os sinais e desvendando a coreografia através deles.

Você é, talvez, o único latino americano credenciado pelo Royal Ballet de Londres para remontar a obra-prima de sir Frederick Ashton ‘La fille mal gardée’. Como se sente diante dessa responsabilidade?

Emilio Martins: Sinto-me estimulado e, ao mesmo tempo consciente da responsabilidade que assumo. Sobretudo, porque além de atuar como coreólogo prossigo o trabalho como ensaiador, ou seja, escolho o elenco, ensaio, burilo o trabalho e apresento o resultado final, já nos últimos dias, ao tutor do ballet, CBE (Cavaleiro do Império Britânico) Alexander Grant.

Para que companhias já montou essa jóia da criação universal? E para que bailarinos?

Emilio Martins: Já trabalhei com o Ballet Estable do Teatro Colón de Buenos Aires, Balé do Theatro Municipal do Rio, The Royal New Zealand Ballet, Balletto Del Teatro Dell’Opera di Roma, Hong Kong Ballet, entre outras companhias. Em todas deixei as portas abertas para retornar. Tenho trabalhado com extraordinários bailarinos tais como: Margaret Ullmann, Ana Botafogo, So Hon-wan, Julio Bocca, Amy Hollingsworth (maravilhosa), Ou Li, Michael Wang (excelente), Yuri Klevtsov, Karina Olmedo, Alexandre Parente, Luíz Ortigoza (fantástico), Burníse Silvius, Priko Ochisi, Jon Trimer, Kim Broad, só para citar alguns, pois o prazer de conhecer e trabalhar com tantos bailarinos bons é muito grande e me impulsiona a fazer produções que vêm alcançando grande sucesso.

E um convite feito pelo Bolshoi muda alguma coisa? Sabemos que não é qualquer estrangeiro que pisa nas companhias russas de ballet como convidado.

Emilio Martins: Trata-se de um convite que remonta à gestão de Vladimir Vassiliev. Apesar de minha experiência internacional, considero esta uma oportunidade única. O Bolshoi tem uma mística; e, quanto mais não seja, sou o primeiro brasileiro a atuar na Rússia na condição em que estou atuando, não como bailarino de uma companhia estrangeira, como bolsista ou para participar de alguma competição. Vou montar um espetáculo para eles, minha excitação é enorme; além disso já tomei conhecimento de que terei à minha disposição seus melhores bailarinos. Também vou estar com meu antigo mestre Alexander Prokofiev, com quem trabalhei no Ballet Nacional de Santiago no Chile e rever Raisa Strutchkova e Marina Kondratyeva, ex-primeiras-bailarinas do Bolshoi que tive a chance de assistir no Municipal do Rio na década de cinquënta. Confesso que, por tudo isto, estou considerando este momento da minha carreira como o máximo, sem desmerecer todas as companhias maravilhosas com as quais já trabalhei. Considero isto um prêmio pela minha dedicação à Dança no Brasil.